Desde 2006 as batalhas são anuais. Campanha, votação, projetos, reformulações. São novas pessoas atuando como lideranças dentro do curso de jornalismo. As “brigas” conquistadas foram inúmeras. Uma das batalhas mais significativas talvez tenha sido a de unir o curso e lutar contra a Reitoria a fim de cobrar mensalidades mais baratas. E eles conseguiram. Depois foi a vez de lutar para a transferência do curso para o período noturno. E, novamente, uma vitória.
Faz quatro anos que o centro acadêmico de jornalismo, após um período desativado, age para garantir os direitos e representar a classe dos estudantes. Tudo começou com a candidatura de Thiago Franz, egresso do curso de jornalismo e presidente do “CA” durante duas eleições. Eleito pela grande maioria, Franz trabalhou durante o ano de 2006 em meio a uma chuva de reclamações pela sua “fraca atuação”.
Apesar de ter conquistado a diminuição da mensalidade e a garantia de subsídio aos estudantes como forma de reembolso da mensalidade, o período de sua administração é visto como “sem ações”. Sucessivo a Franz, quem tomou posto no centro acadêmico foi Gustavo Matte e logo após Fabiane Bardemaker. No ano de 2008, apoiado pelos colegas de jornalismo, Thiago se candidatou novamente e levou pela segunda vez a presidência do CA.
Mas nem só de “calmaria” foram as eleições para o centro acadêmico. No ano de 2009, o atual 5º período de jornalismo, formou uma chapa para “fazer acontecer” dentro do curso. O período de instabilidade pode ser visto no blog www.2008jornalismo.blogspot.com, na matéria, “Novo CA no horizonte”, onde demonstra as discussões ocorridas para a eleição. De um lado, o conservadorismo da administração de Franz, de outro, os calouros lutando por mudanças e com sede de estruturar novos projetos dentro do curso.
Na matéria, Thiago defende as acusações de uma candidatura “morna”. Segundo ele, não havia muito para se fazer como presidente. Isso porque, não havia mais pessoas envolvidas. Na rapidez em que a eleição aconteceu, ele não conseguiu reter uma diretoria que fizesse o esperado. “Mal conseguia atrair todos os membros para as reuniões”, ressalta Thiago na matéria. E um presidente sozinho não é nada. Só que mais uma vez a tecla da concordância não bateu. Talvez tenha sido por isso que a diretoria não ficou sincronizada com o presidente.
Passado o período de efervescência, a chapa que era contra a política ideológica de Franz veio a eleger-se. A frente de sua presidência estava Julherme Pires, eleito com 67% dos votos. Para garantir tal posto, Julherme modificou a campanha que fora utilizada durante alguns anos e, para início de conversa, propôs várias ações. Em uma de suas publicações ele dizia que “o CA não existe só para defender, mas também para agir”.
Foi a partir desse momento que o centro acadêmico voltou a ganhar solidificação e voz para ser ouvido. Entre as primeiras ações estava a viagem à Buenos Aires, concretizada em 2009, a criação do site oficial do curso, que ainda espera solução, e a cobertura multimidiática da Efapi realizada no ano passado, em que diversos alunos do curso participaram ativamente e deram um passo importante na identidade do jornalismo Unochapecó.
Nesta semana, a comissão eleitoral eleita pelas turmas do curso de Jornalismo abriu o edital para os alunos interessados em disputar a eleição para a nova diretoria inscreverem suas chapas. No meio de todo esse clima eleitoreiro, ressurge das sombras uma reflexão nada assombrosa, que é: qual é o papel do Centro Acadêmico? Desta vez, mais uma eleição será disputada no voto do “sim” ou “não”, isto é, não haverá duas chapas.
Apenas uma única chapa se inscreveu. Sob a presidência de Luan Vosnhak, o grupo que tem como lema: “Por uma Comunicação 100% plural”, foi eleito com 62% dos votos e atuará durante 2010. Num dos votos estava escrito “falsos”, considerado o único voto nulo e demonstrando as provocações que ocorrem anualmente. Para explicar melhor o que acontece por trás dos bastidores, o ex-presidente Julherme Pires explica qual é, segundo o estatuto do Centro Acadêmico, os objetivos da diretoria do CA.
Estrutura
A diretoria é composta pelos seguintes membros obrigatoriamente:
Presidente, vice-presidente, secretário, segundo secretário, tesoureiro, segundo-tesoureiro, departamento de imprensa, departamento de cultura e lazer, departamento de assistência ao estudante e departamento de esportes.
De acordo com o estatuto, seria necessário incluir de três a oito membros em cada departamento, mas como existe escassez de alunos para compor, as comissões eleitorais sempre fizeram vista grossa para este aditivo. A diretoria do Centro Acadêmico dispõe de uma verba que provém da universidade anualmente e é utilizada na realização de projetos, viagens e apoio estudantil.
Presidência e secretaria
Assim como o presidente da república, eleito com voto democrático, o presidente do CA é a representação máxima de todos os alunos do curso, e é por eles que todas as ações dele têm que ser direcionadas. O vice-presidente tem o papel fundamental de abranger todas as capacitações do presidente em falta dele, mas acima de tudo deve compor a idéia geral e assegurar a democracia dentro da diretoria. A secretária, por outro lado, tem o papel mais burocrático da “máquina pública”. Além de assegurar todo o histórico de reuniões, datas e mensagens, ela tem o poder para se pronunciar como mais uma aluna dentro da diretoria. Trata-se da função mais importante da diretoria, se olharmos pelo ângulo democrático.
Tesouraria
É o contrário do que Delúbio Soares foi no PT. Para assumir o cargo de tesoureiro, o aluno tem de ser uma pessoa honesta e de bom caráter, que também saiba atender os interesses da maioria e respeitar as decisões da diretoria, além de presenciar e assegurar as discussões aprofundadas quando o tema for uso do dinheiro.
Cultura e lazer e Esportes
Muitos defendem a fusão destes dois departamentos, mas a verdade é que os dois são muito importantes de formas muito diferentes. Em primeiro lugar, cultura deveria ser sozinha. Segundo o CA de História da UFSM, “um Centro Acadêmico deve contribuir para a construção de uma consciência crítica entre os estudantes, ao estimular o debate de idéias”. O departamento de cultura deve atacar uma área crítica dos estudantes.
Esportes e lazer é que deveriam estar juntos. Como se sabe, a maioria do alunato do Jornalismo é sedentário. Ações como o JUICs, efetuadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), só vêm para acrescentar uma prática que deveria ser permanente. O departamento de Esportes serve para apoiar incentivos nesta parte.
Imprensa e Assistência ao Estudante
Para que as atividades de um Centro Acadêmico estejam completas, elas devem também ser direcionadas do alunato para a sociedade – além dos limites da universidade. E para que haja este contato com o mundo exterior através dos meios de comunicação é que existe o departamento de Imprensa (ou Comunicação) que é quem informa e se relaciona com todas as instancias da mídia – ou vai além, criando uma linha direta com o público.
Para ajudar o aluno que está com dúvidas, ou para prestar orientação, existe o departamento de Assistência ao Estudante. Este tem por objetivo exercer a função que hoje em dia é apenas prestada pela coordenação de curso. Quem assumir esta função na diretoria deve estar à par de toda a burocrática do curso, deve ser bem comunicativa e estar sempre a disposição para ajudar neste sentido.
Objetivo
O sentido, no conjunto, da existência de um Centro Acadêmico é proporcionar a organização de eventos, debates, palestras, viagens, recepções de calouros, festas. Mais do que uma representação, é uma liderança e que sempre deve prezar e defender a vontade da maioria, ressalta Franz. Integração, comunicação e participação devem ser sempre postos a frente dos planos das diretorias que entram e saem. Além disso, o Centro Acadêmico deve estar sempre munido de forças para defender o estudante em todas as instâncias do curso – e fora dele, como prevê o estatuto.
“Mas nada acontece se não houver interesse dos alunos. O Diretório Acadêmico Isabel Cristina Kowal Olm Cunha da Unisa (Universidade Santo Amaro) existe há cinco anos. No entanto, por falta de verba e mobilização, nunca foi atuante”, explica matéria publicada no site Universia. O site ainda afirma que para assegurar e ampliar o interesse da comunidade é preciso conclamar a participação de todos em decisões mais polêmicas e, além disso, estar sempre atento às necessidades do alunato para que o papel do Centro Acadêmico seja de fato cumprido.